Com auditório lotado, INEST debate o futuro da Venezuela

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O debate Venezuela Pós Chavéz: con­tinuidade ou rup­tura?, orga­ni­zado pelos docentes do INEST, lotou o auditório Flo­restan Fer­nan­des. Medi­ado pelo pro­fes­sor doutor Fer­nando Roberto de Fre­itas Almeida (INEST/​UFF), o encon­tro teve como palestrantes o pro­fes­sor Tit­u­lar e Emérito Theotônio dos San­tos, da Uni­ver­si­dade Fed­eral Flu­mi­nense (UFF), o pro­fes­sor doutor Leonardo Valente, da Uni­ver­si­dade Fed­eral do Rio de Janeiro (UFRJ) e o pesquisador mex­i­cano Fidel Pérez Flo­res, doutorando pelo Insti­tuto de Estu­dos Soci­ais e Políti­cos (IESP) e inte­grante do Obser­vatório de Política Sul-​Americana (OPSA), ambos da Uni­ver­si­dade Estad­ual do Rio de Janeiro (UERJ).

Com difer­entes ret­ro­spec­ti­vas sobre o pas­sado venezue­lano, eles anal­is­aram o gov­erno de Hugo Chávez e traçaram algu­mas expec­ta­ti­vas sobre o futuro do país.

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Fidel Flo­res anal­isou os dile­mas da relação entre gov­er­nantes e gov­er­na­dos no país e a mudança do processo decisório no qual o mod­elo de democ­ra­cia pas­sou a ser o par­tic­i­pa­tivo em vez do rep­re­sen­ta­tivo. O pesquisador mex­i­cano desta­cou a essên­cia do pro­jeto boli­var­i­ano, sua car­ac­terís­tica anti-​hegemônica, os com­po­nentes de inclusão política – com a insti­tu­ição do „recall” político e da cogestão, através dos con­sel­hos comu­nais – e de inclusão socioe­conômica, que levaram ao “empodera­mento das massas”.

No entanto, ele ressalvou que alguns pro­gra­mas do gov­erno, como as mis­sões boli­var­i­anas, por exem­plo, ainda são insti­tu­cional­mente frágeis, havendo prob­le­mas de má gestão, que foram recon­heci­dos pelo próprio Chávez. Além disso, criti­cou o fato de o ex-​presidente da Venezuela „ter sido colo­cado nos altares”, dada a cul­tura mistico-​religiosa pop­u­lar. Ter­mi­nou comen­tando que o país con­tinua depen­dente do petróleo e afir­mou, quanto às novas eleições, que „os acon­tec­i­men­tos prin­ci­pais ocor­rerão depois delas”.

Leonardo Valente apre­sen­tou o panorama histórico dos 40 anos que ante­ced­eram à entrada de Hugo Chávez, período em que vig­orou o arranjo político chamado como puntofi­jismo no qual, com avanços e retro­ces­sos em ter­mos econômi­cos, a Venezuela sofreu o aumento da desigual­dade social. Ele ressaltou que a chegada de Chávez ao poder faz parte de um processo de dete­ri­o­ração, de colapso do puntofi­jismo, e que foram cri­a­dos ele­men­tos de con­tinuidade na gestão de Chávez que podem ser úteis para avaliar o futuro do país:

- O gov­erno Chávez não apre­sen­tou a alternân­cia de poder como nos 40 anos ante­ri­ores, mas con­seguiu mon­tar uma base, tanto do ponto de vista da adesão pop­u­lar quanto uma base estru­tural den­tro do país, com um modus operandi interno e externo, que são muito fortes e de difí­cil remoção em um futuro imediato.

Não se mudam obje­tivos e car­ac­terís­ti­cas do país de um dia para o outro, afir­mou Valente.

Entre out­ros temas, Theotônio dos San­tos abor­dou a leitura que Chávez fez de Simon Bolí­var em seu gov­erno e a maneira como foi tratado pela mídia que se opunha ao chav­ismo. Ele lem­brou os feitos, a influên­cia, e tradição do mito Bolí­var entre os países de fala his­pânica e em espe­cial na Venezuela. Havia no pen­sa­mento de Bolí­var não somente a ideia de uma união dos países his­pâni­cos da região, mas uma oposição aos Esta­dos Unidos, que influ­en­cia­ria o dis­curso anti­hegemônico de Chávez.

- Não se trata de algo estranho. Se trata de algo que tem uma história de 200 anos. É evi­dente que a Venezuela é um dos pon­tos mais avança­dos da luta política, ide­ológ­ica, da con­frontação entre democ­ra­cia e lib­er­al­ismo, pela visão histórica que ela representa.

Theotônio ressaltou que ade­mais do dis­curso boli­var­i­ano, a cri­ação de insti­tu­ições de par­tic­i­pação pop­u­lar na Venezuela foi alvo con­stante de rejeição por setores da mídia.

Depois das três apre­sen­tações, o medi­ador Fer­nando Roberto de Fre­itas Almeida levou aos palestrantes uma série de per­gun­tas feitas pelo diver­si­fi­cado público presente.

O evento con­tou com o apoio da UNITEVÊ, que fil­mou toda a ativi­dade e ainda disponi­bi­li­zou via stream­ing a trans­mis­são ao vivo.

Editor-​Chefe: Prof. Eurico de Lima Figueiredo — Editor-​Executivo: Prof. Eduardo Heleno
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